OLIVENÇA CELEBRA A FORÇA DOS ANCESTRAIS EM FESTA TRADICIONAL NO BATUBA
Texto Romeu Menezes
12/04/2026 22:29 | Atualizado há 3 Semanas atrás
Festa de marujo João da Areia
Sob o manto dourado de um domingo ensolarado, a Praia do Batuba, em Olivença, transformou-se em um verdadeiro território sagrado neste 12 de abril. O mar, em sua cadência ancestral, foi testemunha de uma celebração marcada pela fé, pela resistência cultural e pela reverência às raízes que sustentam a identidade de um povo.
A tradicional festa dedicada aos povos de matriz africana reuniu filhos e filhas de santo, simpatizantes e toda a comunidade em um encontro que ultrapassa o tempo — um elo vivo entre passado, presente e futuro. Em cada cântico entoado, em cada passo ritmado na areia, pulsava a memória dos que vieram antes, ecoando a força do candomblé como patrimônio espiritual e cultural.
O evento, dedicado ao marujo João da Areia, foi marcado por uma atmosfera de profunda espiritualidade e alegria coletiva. O mar recebeu oferendas, os atabaques deram o tom da celebração e os corpos dançaram como quem escreve, na areia, a própria história. Entre as presenças que reafirmam o compromisso com essa luta histórica, destacou-se a figura de Ratinho Menezes — liderança política de Ilhéus e representante ativo das religiões de matriz africana. Sua atuação vai além do discurso: Ratinho tem consolidado, ano após ano, espaços de visibilidade, respeito e valorização dessas tradições, como na já consagrada Festa de Iemanjá, realizada na Praia do Cristo.
Sua presença no Batuba não foi apenas simbólica. Foi política, cultural e, acima de tudo, ancestral. Em tempos em que a intolerância ainda insiste em ferir, sua trajetória se firma como ponte entre o poder público e os povos tradicionais, incluindo também a defesa firme dos direitos da comunidade LGBTQIA+, promovendo inclusão e respeito em múltiplas frentes. A celebração no Batuba não foi apenas uma festa — foi um ato de resistência. Um grito silencioso que ecoa nas águas salgadas do litoral sul da Bahia, lembrando que a cultura de matriz africana não apenas resiste: ela vive, pulsa e se reinventa. E enquanto o sol se despedia no horizonte, tingindo o céu com tons de despedida e esperança, ficava a certeza: onde há fé, memória e luta, há também futuro. Rádio Atualizando — compromisso com a verdade, com o povo e com a nossa história.
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